sábado, 4 de junho de 2011

Será que Jesus vai voltar? Sobre a festa da Ascenção - Carlos Mesters e Francisco Orofino


Sexta-feira, 3 de junho de 2011 - 11h10min

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A comunidade é o próprio Jesus continuando a missão que o Pai lhe deu: “Como o Pai me enviou, assim envio vocês!” (Jo 20,21). “Vocês são a carta de Cristo!” (2Cor 3,3). O que importa não é saber a hora da volta de Jesus no fim dos tempos, mas sim continuar anunciando a Boa Nova de Deus até que ele volte! A pequena comunidade deve ser Luz das Nações, realizando sua missão junto aos pequeninos e fazendo com que outras pessoas se tornem também discípulas de Jesus.

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Extraído do livro Atos dos Apóslotos: Olhar no espelho das primeiras comunidades. Faça seu pedido: vendas@cebi.org.br

Por volta dos anos 80, muitas comunidades estavam cansadas e tinham uma certa impaciência. Elas se perguntavam: “Será que Jesus vai voltar?” Pois Jesus tinha prometido voltar logo, mas até aquele momento ainda não tinha vindo! Daí a pergunta: “Vem ou não vem?” É também a pergunta de muita gente hoje: quando vai ser o fim do mundo? Quando é que Jesus vai voltar?

Atos 1,7-8: A resposta de Jesus que vale até hoje

As últimas palavras de Jesus aqui na terra trazem a resposta que vai servir de rumo para os cristãos de todos os tempos. Também para nós! Jesus diz: Não cabe a vocês conhecer os tempos e as datas que o Pai reservou à sua própria autoridade! Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês e dele receberão força para serem as minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os extremos da terra! Em vez de querer penetrar no segredo de Deus, os cristãos devem deixar-se penetrar pelo Espírito de Deus para que possam ser testemunhas de Jesus. Em vez de ficar olhando para a volta de Jesus no fim dos tempos, a pessoa cristã deve estar atento à volta de Jesus através do Espírito no dia-a-dia da sua vida. O resto, a gente deve deixar por conta do Pai que tem a história em suas mãos.

Em outras palavras, a resposta que Lucas dá às comunidades dos anos 80 é esta: Jesus já voltou no dia de Pentecostes e, agora, ele está presente na comunidade! A comunidade é o próprio Jesus continuando a missão que o Pai lhe deu: “Como o Pai me enviou, assim envio vocês!” (Jo 20,21). “Vocês são a carta de Cristo!” (2Cor 3,3). O que importa não é saber a hora da volta de Jesus no fim dos tempos, mas sim continuar anunciando a Boa Nova de Deus até que ele volte!

Nesta resposta de Jesus, Lucas dá também o esquema do livro dos Atos: dar testemunho de Jesus em Jerusalém (At 2 a 7), em toda a Judéia e Samaria (At 8 a 15), até os confins do mundo (At 16-28).

Atos 1,9: Descrição da ascensão

Diz o texto: Jesus foi elevado à vista deles e uma nuvem o ocultou a seus olhos. Desta frase vem o que até hoje repetimos no Credo: “Subiu ao céu, onde está sentado à direita de Deus Pai”. A nuvem é um símbolo da presença de Deus. Ela acompanhava o povo no deserto, depois da saída do Egito (Ex 13,21-22; 40,36-38). E quando Salomão inaugurou o Templo, ela encheu o Santo dos Santos para significar que Deus tinha tomado posse (1Rs 8,10-13). Dizendo que uma nuvem ocultou Jesus aos olhos dos discípulos e das discípulas, Lucas afirma que Jesus entrou no mundo de Deus para poder estar sempre conosco. De junto de Deus, ele nos envia o dom do Espírito Santo, a cada momento. Por isso, podemos dizer e gritar durante as nossas celebrações: Ele está no meio de nós!

Atos 1,10-11: O recado dos mensageiros

Depois que Jesus desapareceu, os discípulos e as discípulas ficaram aí, parados, olhando para o céu. Era o que, no tempo de Lucas, muita gente fazia. Ficavam olhando para o céu, esperando a volta de Jesus, e esqueciam de cumprir aqui na terra seu dever de serem testemu­nhas de Jesus (2Ts 3,11-12).

Neste momento, aparecem dois homens vestidos de branco. São mensageiros que transmitem ou esclarecem a mensagem de Deus que existe dentro dos fatos. Quando alguém faz isto, dizemos que ele ou ela é um anjo ou uma anja de Deus. A palavraanjo significa mensageiro. Os dois dão um recado que deve animar a caminhada das comunidades: “Tão certo como Jesus subiu para o céu e agora se encontra junto de Deus, tão certo ele voltará e se manifestará de novo, do mesmo modo como vocês o viram partir aqui”. Com esta certeza no coração, os cristãos devem continuar o anún­cio da Boa Nova, sem se preocupar com a data e a hora da volta de Jesus (At 1,7; Mc 13,32).

Assim, Lucas adverte as comunidades dos anos 80 (e também as nossas de hoje), para que a demasiada preocupação com a vinda gloriosa de Jesus no fim dos tempos não as impeça de perceber que Jesus já estava aí no meio delas. Esta nova volta invisível mas real de Jesus se deu no dia de Pentecostes e nos muitos outros pentecostes que seguiram depois, até hoje: na Palavra, na Eucaristia, na Comunidade, nos acontecimentos, de tantas maneiras! É preciso ter o olhar de fé para poder percebê-lo. Este olhar se adquire na comunidade.

Texto extraído do site: http://www.cebi.org.br

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Renascer

Em um mundo cercado de morte é difícil falar de vida, é difícil acreditar na vida, é difícil ter esperança. Estava lendo agora um texto de um Padre referente ao período da Páscoa, ele fala sobre a ressurreição de Cristo, que Ele venceu a morte pelo amor e que o fato de sua ressurreição é o que dá sentido a nossa vida, o fato de que o Senhor está vivo. Realmente, no período da Páscoa falei sobre isso na minha igreja, que Ele está vivo, essa é a nossa esperança. Bem, a Páscoa passou e agora nem lembramos mais dela, nem falamos tanto sobre essa nossa esperança maior. E é preciso falar, eu preciso falar, não somente falar, mas mais do que isso, preciso acreditar nela. Preciso acreditar que há esperança para um mundo perdido e que se perde a cada instante. Preciso acreditar! E como é difícil acreditar! Como tem sido difícil acreditar! Como é fácil deixar-me levar pelo desanimo, pela descrença, pela desesperança, pelos sinais de morte que a todo instante aparecem no mundo.
Bom, é importante lembrar da esperança que a Páscoa nos traz: Cristo vive! Ele é a nossa esperança, não a humanidade, pessoas que a todo momento erram, muito menos eu mesma que faço parte dessa humanidade que a todo momento cai. Cristo e somente Ele é a minha esperança, Cristo e somente Ele deve ser a minha esperança, somente Ele deve e pode ser a esperança para esse mundo. No texto de Padre, que comentei acima, ele fala que a ressurreição foi a resposta para aqueles que o procuravam sem saber onde encontra-lo. A vida é a resposta àqueles que procuram por uma esperança em meio a dores, sofrimentos, desilusões, morte. Na ressurreição vemos o maior sinal que poderíamos: a vida vence a morte, a vida é maior que a morte. A morte não é a resposta final, a vida sim, essa é eterna, essa é a verdade!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Afoguei a saudade no mar do esquecimento.
Saudade pra que?
Saudade faz doer.
A dor é ruim?!
Dizem que é.
Como falado em alguns textos nesse blog, dizem que a dor é ruim, mas, na verdade, ela é necessária. Nem sempre é negativa, pra dizer a verdade, muitas vezes é positiva, no sentido de que revela que algo está errado.
Uma frase que vi hoje no msn: "A gente sente saudade não por estarmos longe, mas por tudo que vivemos juntos".
Por isso que senti saudade, por isso que doeu tanto, foi tanta vida vivida, tantos momentos pra se lembrar que chega a doer, doer em pensar que tudo isso acabou, não haverá mais.
Mas agora, sem nem esperar mais nada, eis que surge algo. Ele surge, reaparece como a Fenix vinda das cinzas, reviveu. E agora?! Nossa! Como é bom, como é bom reviver isso, mesmo que por brevissimos momentos, que bom poder reviver essa amizade, que bom ter de novo esse amigo, que não era mais amigo, só alguém distante. Que bom! Que bom!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Passos

Caminhando, paro, penso
Será isso que quero pra mim?
Será esse o caminho?
São tantos caminhos a escolher
Tantos passos a dar
E tantas dúvidas em mim
Ao mesmo tempo tanta ansia de viver
Não posso esperar
Preciso continuar
Preciso arriscar
Mesmo que haja dúvida
Mesmo que haja medo
Mesmo que haja...
Mesmo que não haja...
Preciso continuar
Preciso caminhar
Mesmo que ao fim descubra
Que o que valeu não foi escolher isso ou aquilo
Mas sim os passos que persistiram
E os pés que continuaram caminhando

...

Caminho sem parar
Meus passos não podem esperar
Caminho porque tenho que caminhar
Não há motivo para isso
Ou motivo para não faze-lo
Caminho porque esse caminho é a vida
Caminho porque caminhar é viver
Quem disse que há razão pra vida?
Quem disse que há razão pra viver?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pensar dói e mudar é negativo

Trilha de contradições

"Convencidos de que pensar dói e de que mudar
é negativo, tateamos sozinhos no escuro, manada confusa subindo a escada rolante pelo lado errado"

"Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce." Já escrevi sobre essa frase. Sim, repito alguns temas, que são parte do meu repertório, pois todo escritor, todo pintor, tem seus temas recorrentes. No alto dessa escada nos seduzem novidades e nos angustia o excesso de ofertas. Para baixo nos convocam a futilidade, o desalento ou o esquecimento nas drogas. Na dura obrigação de ser "felizes", embora ninguém saiba o que isso significa, nossos enganos nos dirigem com mão firme numa trilha de contradições.

Ilustração Atômica Studio


Apregoa-se a liberdade, mas somos escravos de mil deveres. Oferecem-nos múltiplos bens, mas queremos mais. Em toda esquina novas atrações, e continuamos insatisfeitos. Desejamos permanência, e nos empenhamos em destruir. Nós nos consideramos modernos, mas sufocamos debaixo dos preconceitos, pois esta nossa sociedade, que se diz libertária, é um corredor com janelinhas de cela onde aprisionamos corpo e alma. A gente se imagina moderno, mas veste a camisa de força da ignorância e da alienação, na obrigação do "ter de": ter de ser bonito, rico, famoso, animadíssimo, ter de aparecer – que canseira.

Como ficcionista, meu trabalho é inventar histórias; como colunista, é observar a realidade, ver o que fazemos e como somos. A maior parte de nós nasce e morre sem pensar em nenhuma das questões de que falei acima, ou sem jamais ouvir falar nelas. Questionar dá trabalho, é sem graça, e não adianta nada, pensamos. Tudo parece se resumir em nascer, trabalhar, arcar com dívidas financeiras e emocionais, lutar para se enquadrar em modelos absurdos que nos são impostos. Às vezes, pode-se produzir algo de positivo, como uma lavoura, uma família, uma refeição, um negócio honesto, uma cura, um bem para a comunidade, um gesto amigo.

Mas cadê tempo e disposição, se o tumulto bate à nossa porta, os desastres se acumulam – a crise e as crises, pouca trégua e nenhuma misericórdia. Angústias da nossa contraditória cultura: nunca cozinhar foi tão chique, nunca houve tantas delícias, mas comer é proibido, pois engorda ou aumenta o colesterol. Nunca se falou tanto em sexo, mas estamos desinteressados, exaustos demais, com medo de doenças. O jeito seria parar e refletir, reformular algumas coisas, deletar outras – criar novas, também. Mas, nessa corrida, parar para pensar é um luxo, um susto, uma excentricidade, quando devia ser coisa cotidiana como o café e o pão. Para alguns, a maioria talvez, refletir dá melancolia, ficar quieto é como estar doente, é incômodo, é chato: "Parar para pensar? Nem pensar! Se fizer isso eu desmorono". Para que questionar a desordem e os males todos, para que sair da rotina e querer descobrir um sentido para a vida, até mesmo curtir o belo e o bom, que talvez existam? Pois, se for ilusão, a gente perdeu um precioso tempo com essa bobajada, e aí o ônibus passou, o bar fechou, a festa acabou, a mulher fugiu, o marido se matou, o filho... nem falar.

Então vamos ao nosso grande recurso: a bolsinha de medicamentos. A pílula para dormir e a outra para acordar, a pílula contra depressão (que nos tira a libido) e a outra para compensar isso (que nos rouba a naturalidade) , e aquela que ninguém sabe para que serve, mas que todo mundo toma. Fingindo não estar nem aí, parecemos modernos e espertos, e queremos o máximo: que para alguns é enganar os outros; para estes, é grana e poder, beleza e prestígio; para aqueles, é delírio e esquecimento.

Para uns poucos, é realizar alguma coisa útil, ser honrado, apreciar a natureza, sentir o calor humano e partilhar afeto. Mas, em geral medicados, padronizados, desesperados, medíocres ou heroicos, amorosos ou perversos, nos achando o máximo ou nos sentindo um lixo, carregamos a mala da culpa e a mochila da ansiedade. Refletindo, veríamos que somos apenas humanos, e que nisso existe alguma grandeza. Mas, convencidos de que pensar dói e de que mudar é negativo, tateamos sozinhos no escuro, manada confusa subindo a escada rolante pelo lado errado.

Lya Luft


OBS: FANTÁSTICO ESSE TEXTO!!! NÃO FUI EU QUE ESCREVI, MAS BEM QUE PODIA SER( DIGO ISSO PORQUE ESSES QUESTIONAMENTOS ESTÃO CONSTANTEMENTE EM MINHA MENTE). ACREDITO ESTAR ENTRE OS POUCOS DESCRITOS, MAS É TRISTE CONSTATAR QUE MUITO DA ILUSÃO OU "ILUSÃO" QUE AÍ É DESCRITA TAMBÉM VIVO. CONTUDO É MUITO BOM SABER QUE NÃO SOU A ÚNICA LOUCA NESSE MUNDO QUE PENSA ESSAS COISAS, OU MELHOR, A ÚNICA NESSE MUNDO QUE PENSA!!!

sábado, 17 de outubro de 2009

Sobre a dor e o sofrimento

"A dor é a experiência penosa, a experiência do desprazer de intensidade e duração variáveis, normalmente localizada no corpo próprio e geradora de evitamento. A experiência da dor é universal entre os seres humanos e estende-se a outras espécies animais. É um exemplo paradigmático de experiência consciente e coloca desde logo o problema de saber que tipo de acontecimento ela constitui. Na medida em que parece irredutível a uma descrição externa, como seria a que tomasse por base disposicões comportamentais, evidencia uma perspectiva privilegiada: a daquele que se vê afectado por ela. " Maria José Cantista

Por que falar sobre dor hoje? Ou a pergunta seria por que não falar?
Por que não falamos mais da dor e do sofrimento, se estes acometem a todo ser vivo na face da terra?! Por que escondemos as dores e sofrimentos na sociedade comtemporanea? Por que nos guiamos pela busca desenfreada pelo prazer, negando a todo instante aquela que está sempre presente? Nossa sociedade desaprendeu a lidar com a dor e o sofrimento. Busca nega-los a todo instante. Guia-se por promessas de felicidade constante, pelo fingimento de um mundo só de prazeres.
Assistindo a séries médicas me deparei com casos ficticios de pessoas que não sentiam dor. Por algum motivo estas pessoas não sentiam qualquer dor. Seria isto incrível para qualquer pessoa, não fosse o fato de que sem a dor, a pessoa não é avisada de uma doença, não é avisada sobre um corte, se está frio demais, se está quente demais. Ou seja, a dor é um mecanismo do corpo humano para avisa-lo de que algo vai errado. Sem a dor não podemos saber que algo vai errado, desta forma não é possível identificar logo o caso e tratá-lo, torna-se dificil o diagnóstico de uma doença e seu posterior tratamento. Traçando uma comparação, podemos supor que a dor e o sofrimento que acompanham a humanidade também sejam sintomas de que algo vai errado com esta. Algo não está bem, existe algum problema no ar. Portanto negar a dor não é acabar com o problema, é simplesmente um sintoma que impede a sociedade de diagnosticar sua patologia, não podendo assim tratar-se. A falta da dor, ou sua negação, apenas garante que tudo continuará como está, sem gerar incomodo, passando assim uma falsa idéia de estar "tudo bem".

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quisera vivir una fantasia

Texto que escrevi há pouco mais de um mês atrás:
"Quisera vivir una fantasia
Queria viver em uma fantasia
Um mundo de ilusões
Será que de lá eu poderia um dia sair?
Ou será que lá viveria para sempre?
Será que lá seria perfeito?
E todos os meus sonhos se realizariam?
Não haveria sofrimento, nem dor
Nem esforço, pois tudo seria fácil
Seria simples
Não haveria algo trabalhoso demais
Tudo seria prazer
Tudo seria fácil e estaria ao alcance de todos
Lá os amores aconteceriam, sem dores, e não acabariam
Mas se acabassem, não teria problema, seria sem dor, sem mágoa, sem sofrimento
Lá seria o paraíso
Ninguém brigaria, ou se odiaria
Todos seriam felizes
A alegria seria constante para todos
Não haveria falta, saudade
Não haveria vazio, nem ociosidade
Lá...
Lá seria o melhor lugar para se morar
Lá... lá seria, simplesmente, o paraíso
E ninguém sairia de lá
Não por ser obrigado a viver lá
Mas porque não poderia deixar tamanha maravilha e perfeição
Lá os defeitos sumiriam, as limitações, as dificuldades
Haveria festa e cada um só faria o que lhe desse prazer
Que lugar é esse?
Será que é o paraíso ou um hospício?!"