terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Afoguei a saudade no mar do esquecimento.
Saudade pra que?
Saudade faz doer.
A dor é ruim?!
Dizem que é.
Como falado em alguns textos nesse blog, dizem que a dor é ruim, mas, na verdade, ela é necessária. Nem sempre é negativa, pra dizer a verdade, muitas vezes é positiva, no sentido de que revela que algo está errado.
Uma frase que vi hoje no msn: "A gente sente saudade não por estarmos longe, mas por tudo que vivemos juntos".
Por isso que senti saudade, por isso que doeu tanto, foi tanta vida vivida, tantos momentos pra se lembrar que chega a doer, doer em pensar que tudo isso acabou, não haverá mais.
Mas agora, sem nem esperar mais nada, eis que surge algo. Ele surge, reaparece como a Fenix vinda das cinzas, reviveu. E agora?! Nossa! Como é bom, como é bom reviver isso, mesmo que por brevissimos momentos, que bom poder reviver essa amizade, que bom ter de novo esse amigo, que não era mais amigo, só alguém distante. Que bom! Que bom!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Passos

Caminhando, paro, penso
Será isso que quero pra mim?
Será esse o caminho?
São tantos caminhos a escolher
Tantos passos a dar
E tantas dúvidas em mim
Ao mesmo tempo tanta ansia de viver
Não posso esperar
Preciso continuar
Preciso arriscar
Mesmo que haja dúvida
Mesmo que haja medo
Mesmo que haja...
Mesmo que não haja...
Preciso continuar
Preciso caminhar
Mesmo que ao fim descubra
Que o que valeu não foi escolher isso ou aquilo
Mas sim os passos que persistiram
E os pés que continuaram caminhando

...

Caminho sem parar
Meus passos não podem esperar
Caminho porque tenho que caminhar
Não há motivo para isso
Ou motivo para não faze-lo
Caminho porque esse caminho é a vida
Caminho porque caminhar é viver
Quem disse que há razão pra vida?
Quem disse que há razão pra viver?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pensar dói e mudar é negativo

Trilha de contradições

"Convencidos de que pensar dói e de que mudar
é negativo, tateamos sozinhos no escuro, manada confusa subindo a escada rolante pelo lado errado"

"Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce." Já escrevi sobre essa frase. Sim, repito alguns temas, que são parte do meu repertório, pois todo escritor, todo pintor, tem seus temas recorrentes. No alto dessa escada nos seduzem novidades e nos angustia o excesso de ofertas. Para baixo nos convocam a futilidade, o desalento ou o esquecimento nas drogas. Na dura obrigação de ser "felizes", embora ninguém saiba o que isso significa, nossos enganos nos dirigem com mão firme numa trilha de contradições.

Ilustração Atômica Studio


Apregoa-se a liberdade, mas somos escravos de mil deveres. Oferecem-nos múltiplos bens, mas queremos mais. Em toda esquina novas atrações, e continuamos insatisfeitos. Desejamos permanência, e nos empenhamos em destruir. Nós nos consideramos modernos, mas sufocamos debaixo dos preconceitos, pois esta nossa sociedade, que se diz libertária, é um corredor com janelinhas de cela onde aprisionamos corpo e alma. A gente se imagina moderno, mas veste a camisa de força da ignorância e da alienação, na obrigação do "ter de": ter de ser bonito, rico, famoso, animadíssimo, ter de aparecer – que canseira.

Como ficcionista, meu trabalho é inventar histórias; como colunista, é observar a realidade, ver o que fazemos e como somos. A maior parte de nós nasce e morre sem pensar em nenhuma das questões de que falei acima, ou sem jamais ouvir falar nelas. Questionar dá trabalho, é sem graça, e não adianta nada, pensamos. Tudo parece se resumir em nascer, trabalhar, arcar com dívidas financeiras e emocionais, lutar para se enquadrar em modelos absurdos que nos são impostos. Às vezes, pode-se produzir algo de positivo, como uma lavoura, uma família, uma refeição, um negócio honesto, uma cura, um bem para a comunidade, um gesto amigo.

Mas cadê tempo e disposição, se o tumulto bate à nossa porta, os desastres se acumulam – a crise e as crises, pouca trégua e nenhuma misericórdia. Angústias da nossa contraditória cultura: nunca cozinhar foi tão chique, nunca houve tantas delícias, mas comer é proibido, pois engorda ou aumenta o colesterol. Nunca se falou tanto em sexo, mas estamos desinteressados, exaustos demais, com medo de doenças. O jeito seria parar e refletir, reformular algumas coisas, deletar outras – criar novas, também. Mas, nessa corrida, parar para pensar é um luxo, um susto, uma excentricidade, quando devia ser coisa cotidiana como o café e o pão. Para alguns, a maioria talvez, refletir dá melancolia, ficar quieto é como estar doente, é incômodo, é chato: "Parar para pensar? Nem pensar! Se fizer isso eu desmorono". Para que questionar a desordem e os males todos, para que sair da rotina e querer descobrir um sentido para a vida, até mesmo curtir o belo e o bom, que talvez existam? Pois, se for ilusão, a gente perdeu um precioso tempo com essa bobajada, e aí o ônibus passou, o bar fechou, a festa acabou, a mulher fugiu, o marido se matou, o filho... nem falar.

Então vamos ao nosso grande recurso: a bolsinha de medicamentos. A pílula para dormir e a outra para acordar, a pílula contra depressão (que nos tira a libido) e a outra para compensar isso (que nos rouba a naturalidade) , e aquela que ninguém sabe para que serve, mas que todo mundo toma. Fingindo não estar nem aí, parecemos modernos e espertos, e queremos o máximo: que para alguns é enganar os outros; para estes, é grana e poder, beleza e prestígio; para aqueles, é delírio e esquecimento.

Para uns poucos, é realizar alguma coisa útil, ser honrado, apreciar a natureza, sentir o calor humano e partilhar afeto. Mas, em geral medicados, padronizados, desesperados, medíocres ou heroicos, amorosos ou perversos, nos achando o máximo ou nos sentindo um lixo, carregamos a mala da culpa e a mochila da ansiedade. Refletindo, veríamos que somos apenas humanos, e que nisso existe alguma grandeza. Mas, convencidos de que pensar dói e de que mudar é negativo, tateamos sozinhos no escuro, manada confusa subindo a escada rolante pelo lado errado.

Lya Luft


OBS: FANTÁSTICO ESSE TEXTO!!! NÃO FUI EU QUE ESCREVI, MAS BEM QUE PODIA SER( DIGO ISSO PORQUE ESSES QUESTIONAMENTOS ESTÃO CONSTANTEMENTE EM MINHA MENTE). ACREDITO ESTAR ENTRE OS POUCOS DESCRITOS, MAS É TRISTE CONSTATAR QUE MUITO DA ILUSÃO OU "ILUSÃO" QUE AÍ É DESCRITA TAMBÉM VIVO. CONTUDO É MUITO BOM SABER QUE NÃO SOU A ÚNICA LOUCA NESSE MUNDO QUE PENSA ESSAS COISAS, OU MELHOR, A ÚNICA NESSE MUNDO QUE PENSA!!!

sábado, 17 de outubro de 2009

Sobre a dor e o sofrimento

"A dor é a experiência penosa, a experiência do desprazer de intensidade e duração variáveis, normalmente localizada no corpo próprio e geradora de evitamento. A experiência da dor é universal entre os seres humanos e estende-se a outras espécies animais. É um exemplo paradigmático de experiência consciente e coloca desde logo o problema de saber que tipo de acontecimento ela constitui. Na medida em que parece irredutível a uma descrição externa, como seria a que tomasse por base disposicões comportamentais, evidencia uma perspectiva privilegiada: a daquele que se vê afectado por ela. " Maria José Cantista

Por que falar sobre dor hoje? Ou a pergunta seria por que não falar?
Por que não falamos mais da dor e do sofrimento, se estes acometem a todo ser vivo na face da terra?! Por que escondemos as dores e sofrimentos na sociedade comtemporanea? Por que nos guiamos pela busca desenfreada pelo prazer, negando a todo instante aquela que está sempre presente? Nossa sociedade desaprendeu a lidar com a dor e o sofrimento. Busca nega-los a todo instante. Guia-se por promessas de felicidade constante, pelo fingimento de um mundo só de prazeres.
Assistindo a séries médicas me deparei com casos ficticios de pessoas que não sentiam dor. Por algum motivo estas pessoas não sentiam qualquer dor. Seria isto incrível para qualquer pessoa, não fosse o fato de que sem a dor, a pessoa não é avisada de uma doença, não é avisada sobre um corte, se está frio demais, se está quente demais. Ou seja, a dor é um mecanismo do corpo humano para avisa-lo de que algo vai errado. Sem a dor não podemos saber que algo vai errado, desta forma não é possível identificar logo o caso e tratá-lo, torna-se dificil o diagnóstico de uma doença e seu posterior tratamento. Traçando uma comparação, podemos supor que a dor e o sofrimento que acompanham a humanidade também sejam sintomas de que algo vai errado com esta. Algo não está bem, existe algum problema no ar. Portanto negar a dor não é acabar com o problema, é simplesmente um sintoma que impede a sociedade de diagnosticar sua patologia, não podendo assim tratar-se. A falta da dor, ou sua negação, apenas garante que tudo continuará como está, sem gerar incomodo, passando assim uma falsa idéia de estar "tudo bem".

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quisera vivir una fantasia

Texto que escrevi há pouco mais de um mês atrás:
"Quisera vivir una fantasia
Queria viver em uma fantasia
Um mundo de ilusões
Será que de lá eu poderia um dia sair?
Ou será que lá viveria para sempre?
Será que lá seria perfeito?
E todos os meus sonhos se realizariam?
Não haveria sofrimento, nem dor
Nem esforço, pois tudo seria fácil
Seria simples
Não haveria algo trabalhoso demais
Tudo seria prazer
Tudo seria fácil e estaria ao alcance de todos
Lá os amores aconteceriam, sem dores, e não acabariam
Mas se acabassem, não teria problema, seria sem dor, sem mágoa, sem sofrimento
Lá seria o paraíso
Ninguém brigaria, ou se odiaria
Todos seriam felizes
A alegria seria constante para todos
Não haveria falta, saudade
Não haveria vazio, nem ociosidade
Lá...
Lá seria o melhor lugar para se morar
Lá... lá seria, simplesmente, o paraíso
E ninguém sairia de lá
Não por ser obrigado a viver lá
Mas porque não poderia deixar tamanha maravilha e perfeição
Lá os defeitos sumiriam, as limitações, as dificuldades
Haveria festa e cada um só faria o que lhe desse prazer
Que lugar é esse?
Será que é o paraíso ou um hospício?!"

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Você sem nome

Mais um poeminha/desabafo, enfim... é isso aí!!!
"Quando estou só, sinto-me só, é pra você que fujo
Quando me faltam palavras, nas suas busco refúgio
Quando minha boca seca, diante de tudo que vejo, busco a ti
Só te ver já me faz crer que algo de bom virá, há de vir
Há de ter um sol brilhando após a chuva
Há de ter uma baú de tesouros depois do arco-íris
Há de existir um lugar onde podemos viver em paz
Onde é permitido ser feliz todo o tempo
Há de existir um lugar em que poderemos nos encontrar, sem fronteira, sem limites
Quando sinto que o mundo desabou, é pra você que corro
Para os teus braços, teus afagos, teu consolo
Quando me sinto fraca é na tua força que me escondo
E em ti sou protegida contra a desesperança, as dores, os sofrimentos, a vergonha
Fujo, fujo, corro e só em ti encontro a calmaria
Só em ti encontro...
O que encontro?
Encontro a ti."

domingo, 28 de junho de 2009

Poema pra começar!!!

Poema meio bobo, texto, desabafo, não sei. Enfim, mas resolvi coloca-lo para abrir esse blog. Não sei exatamente de quando é esse poema/desabafo, seja o que for, mas com certeza foi desse ano, dos últimos meses provavelmente.
"Não desejo que o príncipe encantado
Venha me salvar em seu cavalo branco.
Desejo eu mesma, eu salvar-me
Salvar-me do turbilhão em que
Minh´a alma insiste em mergulhar
Desejo conhecer-me, minha força,
Meus defeitos, minha beleza
Desejo ser eu mesma e não desejar algo
Porque alguém diz-me que devo desejar
Desejo conhecer meus próprios desejos
E aprender a desejar o que é melhor pra mim
Desejo um dia de sol, brilhando sobre mim
E uma brisa suave que refresque meu corpo
E minh´alma
Desejo viver cada instante, cada momento
Como se fosse o último, como se fosse o primeiro,
Como se fosse o único
Desejo-me, desejo a vida que ainda não vivi
Desejo experimentar novas sensações
Mesmo que seja para perceber que não me agradam
Desejo-me, desejo-te
Desejo-te, ser amado, que minh´alma
Até agora não conheceu
Desejo viver a vida que foi feita pra mim
Cumprir minha "missão" nesta terra
Cumprir meu chamado, ou como queira chamar
Mas deixar meu legado neste mundo
E gerar mudança, melhorar
E que o ser humano seja mais humano
Mais ele mesmo, menos o outro"